
Carnaval é igual a internet, a gente finge que é feliz e se mostra como é.
Uma efusão incrível de cores, brilhos, plumas, lantejoulas e links pra distrair nossa mente. Tendo todos e sem ninguém de verdade a gente se entrega a primeira colombina que passa, jura amor eterno, brinda a felicidade e em pouco mais de quinze minutos repete tudo com a bailarina que passa dançando na ponta. Exatamente como os links que abrimos, os vídeos que assistimos, os sites que adentramos e que rapidamente deixamos de lado.
O carnaval aproxima os homens como a internet, que possibilita uma fácil comunicação, transborda a alegria ao reencontrar um amigo antigo e abre portas pra novas amizades e quem sabe até um grande amor.
O carnaval afasta os homens como a internet, nos vemos ali sozinhos na multidão em busca de algo que parece ser fundamental as nossas vidas, tentando o beijo roubado, molhado, facilitado, a possibilidade de gritar pra todo mundo ouvir, a liberdade de expressão elevada a décima potência e no fim de tudo a liquidez se faz presente deixando todos pensando ao travesseiro.
Ter todos e não ter ninguém. Ter todas e continuar na busca.
Na felicidade gratuita do carnaval a virtualidade concreta da vida real bate à porta na quarta-feira de cinzas.
E todos nós conectados voltamos a estaca zero, mandando mensagens e ansiando por respostas e além disso ouvindo a voz daquela menina que insiste em esconder-se por trás do teclado.
Com menos dinheiro que antes, com mais azia que antes, com menos disposição que antes, com mais angústia que antes.
Assim a vida segue, sem fantasias e sem utopias, com a crueldade disfarçada de bondade.
Não quero a fugacidade do carnaval na minha vida, quero minha vida sendo um carnaval onde eu posso sempre que quiser gritar, sorrir ou chorar. É isso que busco a cada dia, um carnaval diário se faz presente na minha vida, com a liberdade necessária, com a felicidade iminente e com a possibilidade sempre por perto.
E quando penso no virtual ouço a voz dela, que de longe sorri.
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