quarta-feira, 20 de abril de 2011

São Paulo


A luz do iphone invade nossos olhos na ansiedade despudorada da contemporaneidade.
As luzes de São Pulo invadem minha mente e na cidade da garoa o sol se faz presente e a falta de silêncio me sufoca.
No lugar que não é o meu procuro o lugar que não sei qual é.
Na convivência diária a saudade da solidão e sua angústia.
Gosto da angústia da solidão.
Ouço amigos, ouço Eric Clepton, ouço vozes estranhas que me despertam pra um novo olhar.
Sinto saudades diversas: da mãe, do pai, do irmão, da luz do sol sob a água do mar, da brincadeira gostosa debaixo do lençol, do sexo com amor, do palco.
Do palco a mais incrível sensação me faz gritar de desespero por estar tão distante.
Quero a loucura do ator desvairado e sua passionalidade extrapolando.
No tempo em que a falta de tempo me deixa cansado, estou disposto a recomeçar.
Olho no olho, brinco como criança, choro como adulto ressentido e no final das contas estabeleço relações em rede, teias vão me deixando contemplado de amor, carinho, ódio? Não, mas a eterna saudade.
Saudade do tempo em que o tempo era mais lento, em que as luzes eram menos ofuscantes, em que a paz era tranquilizante.
Penso, corro feito adolescente e quando olho pro lado vejo a menina do colégio que brinca de me olhar e com olhos de sedução me deixa desconcertado.
Espio de canto de olho a mulher mais velha, sorrio com o canto da boca, conquisto sem muita dificuldade e na liquidez estabelecida transito entre cheiros, beijos, sexos e no fundo a solidão permanece.
Agora deixo de lado minha necessidade egóica de me fazer super herói e percebo a lágrima escorrer.
Enxugo. Outra desce. Enxugo. Levanto. E num piscar de olhos me sinto melhor e me entendo na minha dicotomia diária.
Viva a possibilidade de transitar entre o caos e a glória a cada segundo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O-


Mais um dia. A dor se faz presente.
Na beleza cinza de São Paulo recebo a notícia pelas redes virtuais.
A menina que foi namorada no trabalho prazeroso.
O pôr do sol leva a luz por entre os prédios numa rara tarde paulistana de céu azul.
A endorfina toma conta dos meus sentidos e alguém me chama: “Jarbinhas!”
Eu não respondo. Sou mesmo esse?
Que na clandestinidade me divirto ao descobrir na cidade da garoa a possibilidade de estar na casa alheia, mas sem ser convidado.
Ao olhar a vizinha e seus belos seios me sinto criança na inocência desejada,
ao receber a notícia me sinto mortal com a sua mais profunda pancada.
O sangue corre pelas veias,
O sangue morre pelas veias.
Transfusão, transplante, transmite a possibilidade de felicidade,
a lembrança da irmã amada, a dor corrosiva de quase todos os dias.
Transfusão, transplante, transformação e a possibilidade de felicidade.
Menina bonita cheia de carisma baiano e raízes cariocas,
parecida comigo que com raízes nordestinas feito carioca vivo.
Menina bonita que não é a vizinha que espio clandestino na janela do flat ao lado,
mas a menina que sorri no olhar do “namorado.”
A conta bancária me atormenta, a idéia da possibilidade me deixa ansioso e a saúde se faz presente a cada dia.
No olhar pro outro a mais profunda satisfação, no dia a dia corrido a confusão, a distração, a plenitude e a fuga permanente.
O sangue corre pelas veias, o suor corre pelo rosto, olho escondido a vizinha que troca a roupa, sorrio, choro, penso e sinto minhas costas doer.
Tudo ao mesmo tempo, numa efusão absurda de sensações.
Na torcida pela menina, lembro da minha Nina.
Na vontade de querer sempre mais, a satisfação com o necessário.
Do que realmente eu preciso?
O que possivelmente eu desperdiço?
Perguntas não cessam, respostas não tenho e continuo a perguntar:
Pra que tudo isso?