
Tenho andado sozinho, mas acompanhado de muita gente.
Tenho pensado sozinho, mas lendo muita gente.
A cada passo o olhar pro lado e a vontade de gritar.
O aperto no peito parece se repetir, e as pequenas saudades crescem pra me repartir.
Estou assim, dividido. Entre mim, pessoas e eu mesmo.
Acontece que eu mesmo estou sozinho, como um personagem de Dostoiévski.
Perambulando por entre ruas e pernas, correndo na praia e de mim mesmo, sozinho e cheio de gente ao meu redor.
As vésperas de um grande dia, pequenas dores, perdas e amores, vidas e passagens parecem me transformar num monstro.
Olho no espelho e minha barba tá grande.
Olho mais uma vez e um aperto que não tem nome.
Como menino travesso atravesso pessoas e me endureço, o coração encanta e não é encantado. A vontade vai e o desejo fica.
E assim como adulto travesso brinco de encontrar e sozinho é inevitável estar.
Queria a leveza da bolha de sabão, a adrenalina do ator na coxia e a vontade ainda que tardia.
Quero o pop e quero o rock, mas no fundo quero deitar a cabeça vazia no travesseiro dividido.
Quero me bastar por inteiro e dividir o que não tem divisão.
Quero brincar de esconde esconde e contar história pro meu amor.
Quero o carinho do pai e o amor da mãe.
Quero colo, quero somente a possibilidade de felicidade.
E cá...com o peito sem entender e o sorriso a socorrer me contento comigo mesmo em devaneios desvairados pela madrugada adentro.
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