
Ela não é daqui.
Ela não é daqui e eu também não.
Ela não é daqui porque nasceu ali,
enquanto que os daqui nasceram por lá.
Desse jeito, assim, ela é tão daqui quanto os de cá são de lá.
Ela é daqui porque ela sorri com alegria,
porque dali ela dança com poesia e toca em disritmia.
Ela pula, dança e sorri como os daqui
e depois me diz: "não, eu não sou daqui".
"-Eu também não." respondo em alegria.
Não sou daqui, e como ela olho o mundo,
com a alegria de quem recebe um sim,
com a poesia de quem responde um sim.
Eu e ela nos olhamos e assim seguimos,
com o peito aberto e o sorriso no rosto.
Na vontade do reencontro, a possibilidade do encontro.
No encontro assim estabelecido, a felicidade pelo acontecido.
Ela vai e eu fico. Eu fico e vou ao encontro do improvável.
Como aquele que se desfaz, me percebo como quem jaz.
Na certeza que há mais, sorrio.
A cantar pelo breve estar.
Com ela que não. Ao mesmo tempo que sim.
Descubro que não ser é o mesmo que tecer,
e que sendo dali a encontro por aqui.
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