
Fecho os olhos...estúpido! É a palavra que me vem à cabeça.
Olho pros lados em total [des]atenção e o vazio da cama vazia grita aos meus ouvidos.
Ai eu começo a pensar que eu preciso...
Preciso de uma carro, de uma tv nova, de uma máquina de lavar e de um abridor de vinhos.
Viro de lado, acomodo os pés gelados na manta quente, rezo um pai nosso tentando estabelecer meu vínculo com o metafísico e quando estou prestes a dormir penso que preciso de uma bicicleta nova, de um emprego, de um personagem desafiador, de uma mulher pra sexta, outra pra segunda e uma que seja pra sempre.
Penso que meus pais envelhecem, que eu não estou perto, que preciso de férias pra viajar, que preciso de dinheiro pra respirar e que assim de longe minha vida ta super legal!
Respiro fundo e uso a tática da meditação, concentro-me na respiração que vai ficando lenta, estabeleço um vínculo incrível com meu corpo que precisa daquele repouso.
E fico quieto, na minha, respirando por 3 minutos sem pensar em nada... ai...
Começa o momento decisões: decido que vou sair do curso chato que estou fazendo, decido ligar "praquela" mulher que conheci na praia, decido trocar de celular por um mais prático, decido que vou esquecer todos as minha paranoias contemporâneas e que vou realmente desacelerar.
Levanto. Vou ao banheiro fazer um xixi que não existe.
Volto e deito-me de lado agora trocando a posição na esperança de uma nova tentativa.
E sem perceber o momento exato durmo,2h depois do esperado.
De repente acordo, percebo que não preciso de quase nada pra viver, que as decisões são sempre a revelia e que de fato tá tudo sob controle.
Aperto a tecla soneca por 10 vezes antes de levantar e começo meu belo dia de forma simples e tranquila.
O dizer? Sinto cada uma dessas palavras como se fossem minhas. Que personagem é esse que toma conta da gente? Eu te vi por aí sim, te vi por aqui, em mim.
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