
Mais uma semana acaba e os destroços se espalham por entre os sins e os nãos.
Na dúvida recorrente repenso a possibilidade de alguma certeza e me entrego às interrogações.
Assim, como o amigo enfermo choro a dor de quem não vejo e plagiando a amiga generosa também "amo os que não conheço".
Acordar. Respirar. Interrogar. Estilhaçar. Morrer. Correr. Deixar. Poder. Não ser.
Verbos inúmeros tentam explicar a mim mesmo o que quero.
E sem a mínima possibilidade de entendimento desisto e penso: cada dia sei menos a respeito de quase todas as coisas.
Quase explodindo passo as mãos no cabelo e querendo o cabelo dela que tão longe está sinto o peito apertar.
Inescrupulosamente quero sexo, gozo, choro.
Quero voar sem destino e nunca mais voltar, deixar de lado o que conheço e descobrir algo novo.
Não quero mais isso...aqui não é o lugar de quem não cabe em si mesmo.
Não quero mais aquilo...ali não é o lugar de quem não é.
Não quero mais nada...quero a fluidez do impermanente, a possibilidade do inconstante, e a certeza da não verdade.
Quero a antítese como regra, a dicotomia como possibilidade e a dialética como minha alma.
Não quero mais isso, nem aquilo, nem aquela, nem tampouco a detrás.
Quero todas e nenhuma.
Quero tudo e nada.
Quero transitar entre ser, poder e estar.
Não quero mais isso que está parado, não quero estacionar minha mente que sempre mente pra mim relativizando minha potência.
Quero só dizer sim,
quero sorrir em vez de chorar,
quero sentir o coração palpitar,
quero viver pra morrer e quero morrer pra viver.
O que você espera de mim?
Seja qual for a sua resposta saiba que é impossível de ter, de entender.
Eu não quero estabelecer mais nada como real.
Eu não quero viver pra crer e a última coisa que eu tenho a dizer é:
meu nome não é Jarbas.
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