Pedalo minha bicicleta em direção à praia.
Corro por todos os lados a pedalar.
Procuro espaços entre os carros e as vidas das pessoas.
Espaço dentro das mentes, espaço dentro dos corpos, dentro das almas.
Alma é o espelho do corpo?
Ou corpo é o espelho da alma?
Sinto minha vida escorrer, rápida e pacientemente.
Paradoxalmente sinto-me melancolicamente feliz.
Pedalo minha bicicleta em direção à praia.
E vejo uma mulher bonita. Olho.
Vejo um homem bonito. Só vejo.
Procurando espaços de vidas entre as vidas dou um pouco de espaço a saudade.
Saudade do que não conheço, saudade da tranquilidade projetada, da paz desejada e do amor.
Saudade ultimamente é o que não me falta.
Falta dinheiro, amor, vontade.
Falta verdade, descaso e bondade.
Falta suor, vertigem e certezas.
Falta de tudo um pouco mas não falta saudades.
Assim pedalando com minha bicicleta em direção a praia percebi que sinto saudade:
do que não conheço, do que amedronta, do que transporta.
E é por isso que vou seguindo. Cheio de saudades alheias.
Precisando de pedaços dos outros, junto os meus pedaços e vou.
Por entre vidas, espaços e trânsito.
Sigo. Eu e minha bicicleta.
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