sábado, 11 de fevereiro de 2012

enquanto corro


Todos os dias eu corro.
Corro contra o tempo, corro da polícia, corro dos extratos bancários e dos extratos fraldários.
Quase todos os dias eu corro, no aterro.
E nessa corrida corro pra esvaziar a mente, pra aliviar a dor pra acalmar o peito apertado da corrida diária.
Todos os dias eu corro do medo de mim mesmo, da solidão no travesseiro e da vontade de sumir que aparece regularmente.
Quando eu corro no aterro fico sempre na esperança de encontrar com eLa, que vez por outra passeia por aquelas bandas na sua saia rodada acompanhada de um pequeno.
Corro como menino brincalhão tentando entender o impossível e querendo o impalpável.
Corro de mim mesmo em busca de amenizar minha solidão.
Correndo em busca de endorfina pra alegrar minhas tardes, correndo pelos cantos pra disfarçar minha dores.
Assim com corpo de quase atleta, uma mente quase vazia, uma possibilidade de vê-La e ainda uma saudade crescente continuo correndo em busca de achar a improvável resposta.

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