sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tem uma coisa


Tem uma coisa na vida que é poesia. Ela é o abraço apertado do amigo saudoso, a vontade do que não existe e a saudade do nunca se foi.
Tem uma coisa na vida que é anestesia. Ela é o sinal de trânsito, a conta bancária, o poder desnecessário, a ambição desmedida e a fraqueza de espírito.
Tem uma coisa na vida que é a poesia...ela é o sorriso da criança, a magia da primeira vez, o som da flauta transversa e a possibilidade de felicidade.
Ela é o beijo molhado, o laranja do céu e o olhar da menina.
A poesia é vontade de estar bem, é roda gigante, maçã do amor e algodão doce.
Já a anestesia é gosto amargo, o medo da derrota, a estagnação.
Enquanto o mundo parece anestesiado a poesia trasborda em alegria, no sorriso despretensioso, na palavra amiga, no amor de mãe e na cumplicidade de pai.
Poesia é acordar sem hora pra dormir, mas principalmente dormir sem hora pra acordar, é caminhar sem destino, é tomar banho a dois, é bola de gude, bolha de sabão e vontade de mudar.
Tem uma coisa na vida que é poesia...ela é o sim inesperado, é dormir de conchinha, é café com leite, é pão na chapa.
Tem uma coisa na vida que é anestesia...ela é o trânsito parado, o chefe desesperado, a fila que não anda, o amor interessado e o relógio atrasado.
Já a poesia é whisky 12 anos, é música com companhia, é patinar no gelo, é pés descalços, é brinde, é mesa farta, é a simplicidade do dia a dia.
Enquanto o mundo parece insistir na anestesia
eu não desisto da poesia
que por mais que seja escorregadia
sempre chega em dia.
Como essa rima que de tão insistente
por vezes me deixa descontente
mas no desfecho latente
é a possibilidade da mente.
Tem uma coisa na vida que é a poesia.

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