sábado, 8 de outubro de 2011

metro e o jeitinho brasileiro.


Nas poucas vezes[ainda bem] que pego metro cheio nas estações finais é uma loucura.
Fico olhando aquelas pessoas se espremendo umas contra as outras pra tentar arrumar um lugar pra sentar.
E hoje percebi como isso é uma necessidade de "se dar bem" que o brasileiro tem.
Muitas vezes essas pessoas quase atropelam idosos, gestantes ou pessoas com criança de colo.
E lutando umas contra as outras e ambas contra o cansaço do dia a dia, tentam a qualquer custo sentar num banco até a parada mais próxima de suas casas.
Isso me levou a pensar que provavelmente numa posição de poder algumas dessas ou muitas, ou quase nós todos usaríamos de recursos não tão legais pra nos "darmos bem".
Como nossos queridos colegas que trabalham em Brasília que não perdem a oportunidade de desviar um pouquinho aqui, outro pouquinho ali, assim disfarçadamente como quem corre na frente de um deficiente e muitas vezes não cede o lugar.
E penso eu com meus botões: se essa mulher que corre aqui ao meu lado passando na frente da velhinha que tenta se deslocar em direção ao assento preferencial, se essa mulher pudesse sem que ninguém visse, trocar uma assinatura e de repente cair 1 milhão de reais na sua conta, ela não o faria?
A mania de se dar bem do brasileiro provavelmente extrapola os limites da cidadania, seja no metro do Rio de Janeiro, seja em Brasília onde tanto vemos o jeitinho brasileiro de se viver.
Mas e você? E eu? Estamos pensando sobre isso?
Não seria mais fácil acreditar na igualdade da vida em rede, como se estivéssemos todos juntos, transformando cada espaço, modificando cada olhar, brincando de ser deus.
Mas não, estamos quase sempre olhando pro lado e querendo nos dar bem.
E tudo bem se dar bem. Mas como isso se processa é algo potente como possibilidade reflexiva.
Que venham os frutos da nossa atuação como cidadão.

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