domingo, 21 de agosto de 2011

um maluco, um pinguim e a princesa [palhaça] do castelo azul


Era uma vez um maluco. Um desses tipos excêntricos, que gostam de coisas estranhas, usam roupas esquisitas e não assistem televisão.
Era uma vez um pinguim. Que não gostava de frio e sempre se metia nas cobertas da sua dona.
E além deles existia também nesse reino, uma palhacinha que era também a princesa.
O maluco andava por ai sem eira nem beira, cantando aos quatro ventos, falando com criancinhas no meio da rua, abraçando árvores e fingindo que está feliz.
O pinguim, quase tão excêntrico quanto o maluco andava de quatro patas e pra comer um biscoito diferente deita no chão, rola que nem criança e olha como um bobão.
Já a princesa continuava fechada, cercada por muros gigantes, sempre muito bela, maquiada, linda, com um sorriso que contagia, porque todo contato que ela tinha com o mundo exterior era sempre divertido.
O maluco seguia seguindo seu rumo, meio distraído no meio do caminho, chorando ou cantando também fazia as pessoas sorrirem...brindava a vida com leveza e sua busca era sempre precisa.
A princesa um dia decidiu dar uma volta pelo vilarejo e com seu pinguim que nas quatro patas gritava "au,au" sentou num banco de praça. E ficou contemplando a bela tarde de primavera com sua flores coloridas, o céu azul e a vida que segue seguindo.
O maluco que vinha de algum lugar que não se sabe qual e ia para um outro tão desconhecido como, de repente olha pra princesa e sorri. Ela sem saber por que também sorri pra ele.
O maluco que também vive tão cercado de muros parece contagiado com aquele sorriso...e continua a sorrir. O pinguim olha desconfiado.
A princesa por um momento se retrai por ficar assustada. O maluco passa olhando e compra uma cerveja.
Quando de repente eles pareciam se perder um do outro o pinguim corre e começa a brincar com o maluco que na sua maluquice não tinha muito tato com os bichos pois prefere as pessoas. Mas de tão fofo que era o pinguim eles conseguem se conectar.
Em seguida a princesa se aproxima e fala: "vamos pinguim, tá na hora".
O maluco então olha pra princesa e se apresenta:
- prazer, eu sou o Bob.
E ela diz:
- prazer, eu sou a Maria.
Eles não conseguem parar de se olhar e sem mais nem menos começam a rir.
Depois desse riso eles conversaram e riram por horas. O maluco e a princesa que viviam em mundos tão distintos se encontraram no riso. E depois no sexo escondido. Depois no prazer da companhia...e assim seguiram por anos.
Diferentes e complementares.
Estranhos e cúmplices.
Antagônicos e sinceros: o maluco, o pinguim e a princesa[palhaça]

Um comentário:

  1. se a vida é um circo, serei eu a palhaça?

    sem respostas a princesa sai dos contos de fadas decepcionada com príncipes encantados (muito mais encanados), vaga por bares, praças, becos, esbarra em sapos, foge de bruxas, descansa em pé.
    observa tudo ao seu redor. o barulho ensurdecedor dos bêbados e aquele cheiro de orgia não fazem parte da rotina de seu castelo. prova um pouco de cada coisa, não lembra de nada depois... vai embora.
    ela não faz parte disso tudo.
    ela é protegida pelo muro.
    do outro lado dele é recebida por um pinguim que abana o rabo e lambe seu rosto.
    é amada sem amarras por uma criatura que nem fala seu nome, mas que a olha sem disfarces.
    recoloca seu nariz de palhaço e sua camisola azul... dorme... continua sonhando com príncipes desencanados ou com sapos encantados, seja o que for...
    ... sente frio no meio da noite, senta na cama e observa com calma.
    o muro ainda está lá. mas a porta está aberta...


    (com seu pinguim vigiando, claro)

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