Mais uma vez ando pelas ruas feito cachorro perdido tentando achar respostas descabidas no peito dilacerado.
Mais uma vez tento descontroladamente voar pelos ares feito pássaro solto brincando de velocidade.
Mais um vez tento diminuir o ritmo, entender a dor e superar o medo.
E como toda vez as respostas são perguntas, a dor insiste em ficar e o peito explode em diversas direções.
Como naquele dia que brincava de dizer verdades quando a mentira ficava escondida.
Igual àquela noite que no escuro da madrugada a menina pede abraço, o sorriso corre frouxo e a tranquilidade parece chegar.
Mais uma vez a doença, a saudade, a dificuldade e a sensação de não ser mais criança destroem com a utopia pueril.
Mais uma vez quebro os paradigmas e grito pros quatro cantos do mundo: "eu sou feliz".
E assim, logo em seguida mais uma vez entro em contradição e [des]acredito na felicidade.
Mais uma vez me sinto criança, jovem e alerta com tantas ideologias, cheio de poesias e com a certeza de um final feliz...
na manhã seguinte tenho preguiça, canso da vida e desperto sem vontade de reagir.
Nessa dicotomia geminiana me reconheço humano.
Na puerilidade existente a maturidade castrante.
Um dentro do outro. O outro dentro de um.
E como se assim fosse o normal, caminho a passos lentos e com a mente acelerada.
Percebendo mais uma vez que o imóvel não pertence a mim, por isso vou de lá pra cá e de cá pra qualquer lugar buscando na dicotomia possível a possibilidade de entendimento.
E na certeza do não entender, a felicidade do estar buscando.
Na hora da tristeza, a possibilidade de mudar de ideia.
No dia da preguiça, um banho frio.
Mais uma vez me desperdiço em mim mesmo, negando a inércia e me entregando ao movimento.
Sendo múltiplo de mim mesmo e um pra quem assim preferir.
pq será que me identifico tanto com esse desassossego geminiano...
ResponderExcluirai desassossego!
ResponderExcluirPorque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.
ResponderExcluirPorque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Porque metade de mim é platéia a outra metade é canção.
Porque metade de mim é amor
e a outra metade também...
é... dias e dias. bem expressada inquietude, querido! identificação..., cabe ai, né?
ResponderExcluirMais um... lindo!
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