
[Booooooommmmmmmmmm] Entenda essa palavra como uma sonoplastia ridícula daqueles filmes hollywoodianos ridículos.
É esse som que emana do meu peito igualmente ridículo.
Largo meu capeletti aos quatro queijos esfriando na mesa pra não explodir em lágrimas e explodo em palavras.
Palavras de um peito em chamas e que irresponsavelmente se diz feliz.
Tomo um gole de mate(com limão) igual a menina que espia de longe e olho as janelas que aparecem no meu quarto.
Pessoas parecem felizes ao meu lado. Outras parecem nem estar ali.
Como pode uma pessoa estar nesse mundo assim? Ao Deus dará? Como se tudo isso fosse normal?
Na imagem do amigo que transita entre o ser e o não ser, me sinto fora.
Meu celular toca e no que entendemos como inferno astral me aproprio do paraíso astral.
Porque transito entre a mais profunda dicotomia. E isso me faz bem!
[Booooooommmmmmmm] não consigo entender essa coisa...de estar sempre mudando e de estar sempre chorando e de estar sempre sorrindo.
Meu celular pára de tocar e o amigo espera uns minutos até meu retorno.
E eu espero o que?
O que o mundo tem que ainda não vi?
Eu quero o mundo novo em sua antítese enlouquecedora.
Cadê o homem que estava aqui?
Mudo de opinião, troco de idéia e percebo que ainda assim nada parece mudar ao meu lado.
No jogo de xadrez o Rei é o mais poderoso mas só anda um casa por vez!
É assim que me sinto...como um Rei do jogo de xadrez...cheio de poder e com as mãos atadas.
As vezes acho que "não vou me adaptar" igual o poeta que grita na sua melodia.
Mais um gole de mate, as palavras fluem em meus dedos e eu me sinto desafogar.
No colo da menina finjo felicidade, o vazio inevitavelmente volta e a menina normalmente não.
Porque há outra, invadindo aquele espaço e o meu espaço, mesmo sem nunca preenche-lo.
Qual é o meu espaço?
Na busca por amparo o gozo se repete compulsivamente.
Gozo de trabalho. Gozo de amigos. Gozo pela falta e até o gozo de esperma.
Na minha dicotomia só não há espaço pra trocar amor por ódio.
O amor sempre fica e essa dor sempre volta.
O amor incompreendido, o amor distraído, o amor invadido e infelizmente falido.
Na palavra tão pequena a resposta tão grande.
Como uma ampulheta que deixa a areia escorrer entre seus pólos, escorro também!
Sempre tentando a fluidez que permite a possibilidade de encontro.
E o encontro se dá pelo amor. É isso que eu quero. O AMOR na sua forma mais sublime.
Transformando a todos nós em transmissores dessa energia vital.
Mas como não sou o maior exemplo explodo nessa dor, por que ainda estou na superfície dessa matéria que parece nos abraçar quando na verdade nos sufoca.
Assim, percebo minha maior contradição:
A matéria que me sufoca, mas é amada.
A menina que me contempla, mas é a errada.
O amigo que me sorri, mas não resolve.
A felicidade que entra, mas não fica.
A possibilidade que acalma, mas não define.
A transformação que é necessária, mas não entende.
A paz que é esperada, mas não é abraçada.
No fim disso tudo repito o poeta, que na sua melodia me traduz com maestria:
"NÃO VOU ME ADAPTAR".
..mais um gole de mate(leão-sem-limão).
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