
Mais um dia. A dor se faz presente.
Na beleza cinza de São Paulo recebo a notícia pelas redes virtuais.
A menina que foi namorada no trabalho prazeroso.
O pôr do sol leva a luz por entre os prédios numa rara tarde paulistana de céu azul.
A endorfina toma conta dos meus sentidos e alguém me chama: “Jarbinhas!”
Eu não respondo. Sou mesmo esse?
Que na clandestinidade me divirto ao descobrir na cidade da garoa a possibilidade de estar na casa alheia, mas sem ser convidado.
Ao olhar a vizinha e seus belos seios me sinto criança na inocência desejada,
ao receber a notícia me sinto mortal com a sua mais profunda pancada.
O sangue corre pelas veias,
O sangue morre pelas veias.
Transfusão, transplante, transmite a possibilidade de felicidade,
a lembrança da irmã amada, a dor corrosiva de quase todos os dias.
Transfusão, transplante, transformação e a possibilidade de felicidade.
Menina bonita cheia de carisma baiano e raízes cariocas,
parecida comigo que com raízes nordestinas feito carioca vivo.
Menina bonita que não é a vizinha que espio clandestino na janela do flat ao lado,
mas a menina que sorri no olhar do “namorado.”
A conta bancária me atormenta, a idéia da possibilidade me deixa ansioso e a saúde se faz presente a cada dia.
No olhar pro outro a mais profunda satisfação, no dia a dia corrido a confusão, a distração, a plenitude e a fuga permanente.
O sangue corre pelas veias, o suor corre pelo rosto, olho escondido a vizinha que troca a roupa, sorrio, choro, penso e sinto minhas costas doer.
Tudo ao mesmo tempo, numa efusão absurda de sensações.
Na torcida pela menina, lembro da minha Nina.
Na vontade de querer sempre mais, a satisfação com o necessário.
Do que realmente eu preciso?
O que possivelmente eu desperdiço?
Perguntas não cessam, respostas não tenho e continuo a perguntar:
Pra que tudo isso?
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