domingo, 15 de janeiro de 2012

meu sonho e ela


Ela era linda, branca, sorriso incrível, leveza no olhar, leveza no falar, sua puerilidade se misturava a sua sagacidade de forma muito intrigante.
O gosto, o cheiro, o calor e a paz eram resultados desse encontro.
Vivíamos como se o mundo externo não existisse.
No encaixe perfeito, na tranquilidade desejada ela se entranhava na minha vida como água que se deixa formar em qualquer recipiente. Ela e eu num ininterrupto suar, lavar, amar, deixar, formar uma forma só! No encontro fortuito, na forma desejada, no que pode-se chamar de encontro.
De repente eu acordo, olho pro lado e ela está lá. Não...olho pro lado e ela não está lá. Sim...olho pro lado e ela está?
Não...depois de realmente acordado percebo minha solidão cotidiana.
Que consome a alma, que liberta e aprisiona no minuto seguinte.
Café com leite e solidão.
Bolachas, manteiga e solidão.
Música, trabalho e solidão.
Me debato contra mim mesmo, me assusto com dores do passado, me projeto no que não existe, planejo mais que o possível e a solidão grita anunciando o fim do sonho.
Acordo, olho pro lado e ela não está lá. Mesmo assim ela me olha com seus olhos sedutores e cheios de dúvidas. Você é muito... Sem deixar ela terminar a frase beijo sua boca gostosa, aperto seu corpo contra o meu e trememos juntos num tesão infindável, num orgasmo incomparável, numa vontade estúpida de entrar um no outro.
E entramos e saímos e entramos e saímos e entramos e saímos e entramos e saímos e hhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
No grito descontrolado acordo sozinho na minha cama. Com meus mesmos medos do passado, com minha angústia parceira de cada dia, olho pro outro lado e a parede sorri pra mim.
Com minhas dores levanto e o chuveiro gelado me trás de volta.
Minha solidão e meu medo me deixam ali no chuveiro por minutos, saio molhado, coloco uma roupa confortável e me olho no espelho.
Sozinho abro meu computador e meus dedos dizem coisas a minha mente e minha mente responde coisas aos meus dedos.
Bebo uma água gelada e contemplo minha solidão!
Ela que tá na minha mente mente quando diz que existe. Eu que estou na mente dela minto quando digo que vou. E assim nessa brincadeira de forças a força maior me deixa ainda solitário, buscando o possível encontro das almas.

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