domingo, 5 de julho de 2009

ELA

Um dia eu estava.
Na casa de um amigo. Feliz. Sorrindo. Com fome.
Fome de comida e fome de vida.
Aquela vontade desvairada de sair pelo mundo, conhecer gente nova, gritar de felicidade e sorrir pra desconhecidos.
Aquela vontade de dizer ois aleatórios e mergulhar num mar gelado.
O telefone toca.
E eu ali sendo um amigo feliz. Estando a reecontrar outros amigos felizes.
Tomando uma cerveja, brindando a vida e com o cabelo desarrumado.
Não sei porque mas sempre que eu me sinto muito feliz logo depois eu me sinto muito estúpido.
Felicidade e estupidez caminham lado a lado.
Como a vida e a morte. Lado a lado...até que uma entra na outra e ai.
O telefone toca. Meu irmão.
Eu com fome de comida. O cabelo desarrumado. E com uma camisa vermelha.
Eu tinha acabado de falar com a Lua e brincar com crianças na rua.
O telefone toca. Meu irmão. A notícia.
E eu que estava sendo um amigo feliz, rodeado de amigos felizes, tinha fome de comida e de vida,estava com uma camisa vermelha e com o cabelo desarrumado. Choro.
O telefone. A notícia. Meu Tio querido.
A noite se transforma em tristeza, a alegria escorre pelo ralo e a estupidez ganha mais uma.
Eu volto pra casa azul, coloco uma camisa amarela, deito e vejo tudo escurecer.
Dois dias depois eu arrumo meu cabelo, e com uma camisa branca pego um avião.
Cheguei. Aqui estou. A vida tem que continuar.

Um comentário:

  1. Valeu cabeça :(
    nunca tinha visitado seu blog, leitura de primeira qualidade...
    faz algum tempo que nao me emociono com as lembranças do meu pai, essas palavras foram profundas, nao tenho como evitar as lagrimas.
    bju...

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